
Music is Rotten One Note reconstrói o jazz a partir dos minimalismos de Tom Jenkinson
Squarepusher é o pseudônimo que esconde/revela a figura criativa de Tom Jenkinson, desde Junho de 1996, data do lançamento de Feed me Weird Things, primeiro álbum de Squarepusher.
Com um baixo Fretless, um laptop e alguns hardwares, Tom viria a produzir na música eletrônica uma nova ruptura em produções cunhadas à sua própria formação musical, dialogando diretrizes e descobrindo novas texturas sonoras a partir de experimentações complexas da música eletrônica atreladas a fusões com o jazz. Com seu baixo, Tom Jenkinson – ou melhor, Squarepusher – produz arquiteturas sonoras sinuosas, com minimalismos e backgrounds repletos de contra-tempos, legitimando o seu status de autoridade na cena IDM* britânica.
Ao que nos parece, toda a produção de Squarepusher só existe porque há quebras: não existissem elas, sua proposta seria nula e o seu desafio de ultrapassar-se a si próprio refletindo-se em outros campos se reduziria a tendência, implicando a inexistência da principal característica de sua obra: a metalingüística sonora. Transitando entre a música concretista, o lo-fi*, o Drum and Bass e o Acid, sua estética híbrida esboça alternativas sonoras próprias de uma vanguarda: a quebra com sistemas institucionalizados, a difícil compreensão de sua proposta e a criação de um produto original e polêmico. Music is Rotten One Note reafirma essa característica ao propor um modelo musical complexo, conjugado à presunção de um sofisticado bebop: o resultado é um conluio de efeitos sonoros, ruídos, linhas melódicas pensas e um jazz que caminha por variadas trips, que vão do groove ao lounge.
Lançado em outubro de 1998, Music is Rotten One Note estabelece mais um divisor de águas na carreira de Squarepuscher: ao contrário dos primeiros álbuns, em que o a presença do Drum and Bass e das percussões de break beat são marcadamente massivas – como em Buzz Caner e Feed me Weird Things – este é menos abrupto, trazendo consigo a leveza do jazz, embalado por linhas de baixo limpas, às vezes ambíguas, como em Chunk, faixa que abre o álbum, que mistura perfeitamente o background sonoro ao baixo num groove delicado em sintonia com vários scracthes, parceria que percorre muitas das outras faixas, sem pasteurizar sua fórmula. Don’t Go Plastic, por sua vez, possui algo de sofisticado, quando anuncia a proposta de um novo bebop conjugado à sensualidade do acid jazz, com um generoso solo de baixo. O gênero, aliás, é quase a única coisa que conecta as faixas, que se diferenciam entre si pelos usos de implementos eletro-eletrônicos e pelo trabalho com sintetizadores, como se pode perceber na high tech faixa Curve 1, que dá ao álbum um clima futurista. My Sound retoma a proposta jazzística a partir de arranjos de teclado acompanhados por notas repetidas de baixo e guitarra.
Drunken Style, por sua vez, parece guardar consigo toda a motivação de Music is Rotten One Note, ao inserir dentro de um ambiente eletrônico – numa faixa-vinheta de não mais de que 50 segundos – alguns signos jazzísticos, que são ironizados a partir da desafinação de um trompete, processo que redefine o jazz como gênero aberto a atualizações na esfera musical eletrônica. Last Aproach finaliza o álbum, com suas incessantes baterias mergulhadas num cenário claustrofóbico produzido pelos ruídos semelhantes a maquinários de uma indústria obsoleta, ruídos que vão num crescente até a sua exaustão, nos últimos 4 minutos do álbum.
Music is Rotten Note One serve para reafirmar não somente um propósito, mas uma dinâmica de Squarepusher: abrir territórios e dilatar o campo das experimentações. Nele, o jazz toma forma na apropriação da polirritmia e do contratempo, característicos do gênero e definidores de sua atualização pelo artista neste álbum. Nada parece se perder com Squarepusher: uma questão de perspectiva.
***
* IBM: Inteligent Dance Music, gênero da música eletrônica surgido na década de 90 caracterizado pela desconstrução do paradigma musical a partir do uso de freqüências em níveos bastante baixos e elevados.
* Lo- Fi: Ou Low Fidelity, é a expressão que caracteriza o gênero musical que usa de falhas técnicas, como distorção, fundo barulhento, ou limitados efeitos de frequência
para fundamentar sua estrutura. Sua contribuição para outros gêneros é bastante generosa, principalmente ao indie rock, ao punk e ao heave metal.
Com um baixo Fretless, um laptop e alguns hardwares, Tom viria a produzir na música eletrônica uma nova ruptura em produções cunhadas à sua própria formação musical, dialogando diretrizes e descobrindo novas texturas sonoras a partir de experimentações complexas da música eletrônica atreladas a fusões com o jazz. Com seu baixo, Tom Jenkinson – ou melhor, Squarepusher – produz arquiteturas sonoras sinuosas, com minimalismos e backgrounds repletos de contra-tempos, legitimando o seu status de autoridade na cena IDM* britânica.
Ao que nos parece, toda a produção de Squarepusher só existe porque há quebras: não existissem elas, sua proposta seria nula e o seu desafio de ultrapassar-se a si próprio refletindo-se em outros campos se reduziria a tendência, implicando a inexistência da principal característica de sua obra: a metalingüística sonora. Transitando entre a música concretista, o lo-fi*, o Drum and Bass e o Acid, sua estética híbrida esboça alternativas sonoras próprias de uma vanguarda: a quebra com sistemas institucionalizados, a difícil compreensão de sua proposta e a criação de um produto original e polêmico. Music is Rotten One Note reafirma essa característica ao propor um modelo musical complexo, conjugado à presunção de um sofisticado bebop: o resultado é um conluio de efeitos sonoros, ruídos, linhas melódicas pensas e um jazz que caminha por variadas trips, que vão do groove ao lounge.
Lançado em outubro de 1998, Music is Rotten One Note estabelece mais um divisor de águas na carreira de Squarepuscher: ao contrário dos primeiros álbuns, em que o a presença do Drum and Bass e das percussões de break beat são marcadamente massivas – como em Buzz Caner e Feed me Weird Things – este é menos abrupto, trazendo consigo a leveza do jazz, embalado por linhas de baixo limpas, às vezes ambíguas, como em Chunk, faixa que abre o álbum, que mistura perfeitamente o background sonoro ao baixo num groove delicado em sintonia com vários scracthes, parceria que percorre muitas das outras faixas, sem pasteurizar sua fórmula. Don’t Go Plastic, por sua vez, possui algo de sofisticado, quando anuncia a proposta de um novo bebop conjugado à sensualidade do acid jazz, com um generoso solo de baixo. O gênero, aliás, é quase a única coisa que conecta as faixas, que se diferenciam entre si pelos usos de implementos eletro-eletrônicos e pelo trabalho com sintetizadores, como se pode perceber na high tech faixa Curve 1, que dá ao álbum um clima futurista. My Sound retoma a proposta jazzística a partir de arranjos de teclado acompanhados por notas repetidas de baixo e guitarra.
Drunken Style, por sua vez, parece guardar consigo toda a motivação de Music is Rotten One Note, ao inserir dentro de um ambiente eletrônico – numa faixa-vinheta de não mais de que 50 segundos – alguns signos jazzísticos, que são ironizados a partir da desafinação de um trompete, processo que redefine o jazz como gênero aberto a atualizações na esfera musical eletrônica. Last Aproach finaliza o álbum, com suas incessantes baterias mergulhadas num cenário claustrofóbico produzido pelos ruídos semelhantes a maquinários de uma indústria obsoleta, ruídos que vão num crescente até a sua exaustão, nos últimos 4 minutos do álbum.
Music is Rotten Note One serve para reafirmar não somente um propósito, mas uma dinâmica de Squarepusher: abrir territórios e dilatar o campo das experimentações. Nele, o jazz toma forma na apropriação da polirritmia e do contratempo, característicos do gênero e definidores de sua atualização pelo artista neste álbum. Nada parece se perder com Squarepusher: uma questão de perspectiva.
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* IBM: Inteligent Dance Music, gênero da música eletrônica surgido na década de 90 caracterizado pela desconstrução do paradigma musical a partir do uso de freqüências em níveos bastante baixos e elevados.
* Lo- Fi: Ou Low Fidelity, é a expressão que caracteriza o gênero musical que usa de falhas técnicas, como distorção, fundo barulhento, ou limitados efeitos de frequência
para fundamentar sua estrutura. Sua contribuição para outros gêneros é bastante generosa, principalmente ao indie rock, ao punk e ao heave metal.



